segunda-feira, junho 28, 2004

De incêndio em incêndio até à queimada final!

"Os incêndios que lavraram hoje em S. Pedro (Tomar) e em Picota (Tavira) estão em fase de rescaldo, segundo fonte do Serviço Nacional dos Bombeiros e Protecção Civil.

O incêndio de São Pedro, que deflagrou cerca das 13h50, chegou a ser combatido por 170 homens de 20 corporações, com a ajuda de dois helicópteros. As chamas consumiram pinheiros, eucaliptos e oliveiras, segundo fonte da GNR de Tomar.

Já em Picota as chamas foram combatidas por algumas dezenas de bombeiros, apoiados por cerca de 17 viaturas e um helibombardeiro.

No distrito de Castelo Branco registou-se também um incêndio florestal que deflagrou às 15h45 no Alto das Jardas, Idanha-a-Nova.

No distrito de Leiria houve dois incêndios, um em Porto de Mós e outro em Santa Catarina da Serra.

No distrito de Évora deflagraram, ao início da tarde, três focos de incêndios em áreas de pasto, pinhal e mato."
, in Público.pt

Nada de novo a oeste do paraíso... apenas mais 2 anos de demagogia de feira por parte dos governantes que disseram ir resolver o problema, em cima dos restantes anos de todos os outros que também iriam resolver esta questão, em cima das cinzas de milhares de hectares ardidos, em cima de milhares de euros de equipamento de combate a incêndio destruído, em cima de helicópteros que andam a sobrevoar os estádios, em cima de F16 que andam a combater o terrorismo sobre os céus de Portugal, em cima de 2 submarinos para proteger-nos sabe Deus de quê, em cima de dezenas de carros topo de gama que foram comprados durante os últimos 365 dias e registados em nome da Fazendo Pública, em cima dos ordenados multimilionários pagos nas empresas de capitais públicos, em cima das poupanças forçadas de milhares de portugueses que têm visto os bancos a tirar-lhes as casas por falta de pagamento.
Querem mais?
Deixem acabar essa coisa do Euro2004 e a depressão nacional regressará dentro de momentos, ainda pior, pois agora virá em forma de ressaca, mesmo que sejamos campeões europeus.

domingo, junho 27, 2004

Os dois

Dois hinos nacionais.
Duas nações comprometidas pelos seus governantes.
Resta a glória dos respectivos hinos e a esperança de se cumprirem.

The Star Spangled Banner

Oh, say can you see, by the dawn's early light,
What so proudly we hailed at the twilight's last gleaming?
Whose broad stripes and bright stars, through the perilous fight,
O'er the ramparts we watched, were so gallantly streaming?
And the rockets' red glare, the bombs bursting in air,
Gave proof through the night that our flag was still there.
O say, does that star-spangled banner yet wave
O'er the land of the free and the home of the brave?

On the shore, dimly seen through the mists of the deep,
Where the foe's haughty host in dread silence reposes,
What is that which the breeze, o'er the towering steep,
As it fitfully blows, now conceals, now discloses?
Now it catches the gleam of the morning's first beam,
In full glory reflected now shines on the stream:
'Tis the star-spangled banner! O long may it wave
O'er the land of the free and the home of the brave.

And where is that band who so vauntingly swore
That the havoc of war and the battle's confusion
A home and a country should leave us no more?
Their blood has wiped out their foul footstep's pollution.
No refuge could save the hireling and slave
From the terror of flight, or the gloom of the grave:
And the star-spangled banner in triumph doth wave
O'er the land of the free and the home of the brave.

Oh! thus be it ever, when freemen shall stand
Between their loved homes and the war's desolation!
Blest with victory and peace, may the heaven-rescued land
Praise the Power that hath made and preserved us a nation.
Then conquer we must, for our cause it is just,
And this be our motto: "In God is our trust."
And the star-spangled banner forever shall wave
O'er the land of the free and the home of the brave!

A Portuguesa

I
Heróis do mar, nobre povo,
Nação valente, imortal
Levantai hoje de novo
O esplendor de Portugal!
Entre as brumas da memória,
Ó Pátria, sente-se a voz
Dos teus egrégios avós
Que há-de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar Contra os canhões marchar, marchar!

II
Desfralda a invicta Bandeira,
À luz viva do teu céu!
Brade a Europa à terra inteira:
Portugal não pereceu
Beija o solo teu jucundo
O oceano, a rugir d`amor,
E o teu Braço vencedor
Deu mundos novos ao mundo!

Às armas, às armas!
Sobre a terra sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

III
Saudai o Sol que desponta
Sobre um ridente porvir;
Seja o eco de uma afronta
O sinal de ressurgir.
Raios dessa aurora forte
São como beijos de mãe,
Que nos guardam, nos sustêm,
Contra as injúrias da sorte.

Às armas, às armas!
Sobre aterra, sobre o mar,
Às armas, às armas!
Pela Pátria lutar
Contra os canhões marchar, marchar!

sábado, junho 26, 2004

La resistence à la portugaise?

“Todos a Belém no domingo [amanhã], às 19h00, contra Santana Lopes primeiro-ministro! Abaixo um Governo da ‘treta’! Envia este sms a toda a gente, já!”, anuncia a mensagem, não identificada., in Público

Que país é este que anda a pedir ao seu povo que mande SMS a recusar santana lopes como primeiro ministro?

Será uma nova forma de resistência? Mesmo assim, prefiro pensar no Reny do "Alô, Alô", tasqueiro descomprometido e a tentar agradar a todos, mantendo a pele a salvo.
Quem será o nosso Reny?

Será o Pacheco Porreiro?

I will tell you this only once...

Eles andam a tomar drogas burras...

Para tornar as coisas ainda mais sexy, o Pacheco Porreiro, no seu Abrupto, explica urbi et orbi o que deve ser um esquema de sucessão. Adeus democracia, hello New York! Não percam essa posta "ad bostam":
Portugal deve parar. O PPD irá congressar. Irá definir o sucessor. Irá votar.
Portugal, um país maduro, deve esperar pacientemente que uma corja de badalhocos endinheirados q.b. levante umas cartolinas e se digne informar o país de quem nos irá governar até ao fim da legislatura.
Fico verdeadeiramente ilustrado ao perceber que o Alberto João, lá dos confins do nosso sorvedouro tropical de euros, veio a palco apoiar a sucessão.
Somos mesmo um país calmo e divertido.
Vou ver a minha declaração de IRS novamente... e chorar.

Santana entra. Rejubilem os Stands e os Alfaiates!

Ferreira Leite ter-se-á despedido ontem dos seus secretários de Estado. No entanto, o presidente da Câmara de Lisboa deverá ser indigitado primeiro-ministro e apresentar o novo Governo já na próxima semana. Para o substituir na CML deverá avançar Carmona Rodrigues, actual ministro das Obras Públicas. in Expresso.

Afinal o homem já está a entrar... ena, ena!
Há alguns anos atrás, a honra lavava-se ou com flor de laranjeira ou com sangue. Hoje, vai-se a Bruxelas... e quem fica, vai aos Stands de topos de gama e a alfaiates Italianos. Finalmente a economia portuguesa vai acelerar em grande estilo.

Amigos: Portugal está a entrar na "Silly Season" em força. Eu, se fosse do ppsd (cruzes!), vestia-me de saco e cobria-me de cinza. O paulinho das feiras deve andar impante de felicidade... o cherne vai ter que o levar para Bruxelas! Agora é que o mano do Berloque de Esquerda vai ver o que é a vida nocturna de Bruxelas. Juntos, reinarão!

Diria o Eça: que choldra de porcos!

Santana entra, ficamos na mesma... ou pior

"PEDRO Santana Lopes vai suceder a Durão Barroso na chefia do Governo e do PSD, o que deverá ser anunciado pelo primeiro-ministro português nos próximos dias. Durão viu confirmado ontem ao final da manhã, com o telefonema de Chirac, o apoio unânime dos 25 países da UE para ser o substituto de Romano Prodi à frente da Comissão Europeia, e assegurou que, na primeira linha da sucessão, estará Santana Lopes, o seu primeiro vice-presidente no PSD.", novamente o Expresso.

Perdemos um parvo, ganhamos um pavão envelhecido e ainda mais parvo...
Nem a Itália conseguiu ser tão colorida até hoje... se Guterres foi acusado de dar à sola e deixar isto a votos, agora temos um que vai ficar multimilionário e que deixa um colador de cartazes no Governo. Já imaginaram a Murtosa cheia de cartazes a dizer: "Já reparou no que estamos a fazer?"... e o murtoseiro dirá: "E o que é que estão, de facto, a fazer? A lixar o povo e a roubar-nos todos os dias? Para isso não precisamos de cartazes."

Tenho vergonha destes governantes. Portugal não merece tanto castigo.
Pelo menos a TVI vai poder continuar a pagar rios de dinheiro ao professor "de Palice" para comentar o novo governo.

Durão vai, rejubilemos!

"Para Bruxelas, Durão Barroso surge como uma espécie de mínimo denominador comum, capaz de ser por todos aceite sem chegar verdadeiramente a entusiasmar alguém. Em Lisboa, os ânimos dividem-se entre a perplexidade e o entusiasmo, sendo certo que os mais próximos amigos e apoiantes de Barroso aconselharam-no entusiasticamente a aceitar.", diz o Expresso de hoje.
Deixamos de ter um Primeiro e passamos a ter um "mínimo denominador comum"... sempre tive a ideia de que a matemática era a culpada disto tudo...

quinta-feira, junho 24, 2004

terça-feira, junho 22, 2004

... o pequeno virou grande...

O título deste post foi emprestado pelo André Belo e vem a propósito do casamento do meu filho mais novo, o Fernando, mais conhecido pelo "Nini".
Para todos os casamentos dos meus filhos fiz um jornalito para expressar alguns sentimentos que afligem os pais nesses momentos... este terá sido o último de uma série.



(foto @Nelson da Silva)

Aqui fica o texto central:

Eis-nos na 3ª edição deste jornalinho de família.
A história já vem registando aspectos interessantes desta família: 2 casamentos, 2 nascimentos, mudança de casa da família. Tanta coisa em tão pouco tempo!
Em ano de EXPO fizemos o casamento do Marco e da Paula Regina; logo depois, na véspera de novo milénio festejámos a união da Paula e do Nuno. Foi com dor e mágoa que vi partir a minha mãe. Raramente falo dela. Ficou a saudade de tudo o que poderia ter sido dito e feito entre eu e ela ao longo da vida e que não se cumpriu. O tempo, não o podemos parar ou repetir. Ele flúi, por vezes dolorosamente. Aprendi que mais importante que acusar é amar. Vou tentando fazer isso na minha vida. Nem sempre bem...
Já no novo século nascem dois netos maravilhosos que, instantaneamente, se transformaram no centro de todos os cuidados e paixões. Com eles vamos percebendo o que é o amor dos avós: o amor que se dá sem pedir nada em troca, sem exigências. E recebemos sempre muito mais do que damos.

A nossa vida tem sido isso mesmo: uma sequência de acontecimentos que nos têm marcado profundamente. Dizia eu, num dos jornais anteriores, que os pais sentem-se felizes por poderem olhar para trás e ver que o caminho percorrido foi bom e que o seu papel foi importante para que este momento acontecesse. Não é que nos sintamos mais velhos, mas sentimos que ultrapassámos uma fase na vida... daquelas fases em que pensamos que ficamos mais pobres, mais sós, mais fragilizados perante o início de novas esperanças dos outros. Pensamos que as nossas esperanças são menos legítimas que as deles. Mas não o creio assim. Esperamos de forma nova e diferente, uma esperança ainda mais espectante que quando estavam para nascer, pois agora é que vão ser postas à prova algumas das opções que tomámos na educação dos filhos.
O tempo tem-me mostrado que a maior parte das opções tomadas estavam certas.
Porém, o importante hoje é festejar o casamento do nosso Fernando e da nossa Anabela. Festejemos, pois!
O que tenho percebido deles é que se entendem bastante bem. São comedidos na sua expansão pública – digo eu -, mas dão os sinais certos. Por vezes é no silêncio que as uniões eternas se forjam e, nisso, parece que ambos foram feitos um para o outro. Fiquei espantado quando me apercebi que a relação deles estava a ultrapassar a mera curiosidade mútua. Espantado por ver o meu filho mais novo a assumir uma série de preocupações que nunca tinha tido em tão grande dose. Espantado por ver que a criança estava a virar homem. Agradavelmente espantado, diga-se.
Sempre encarei o Fernando como a criança sorridente que entrou na minha vida e a ocupou desde muito cedo. O mais novo dos irmãos, o mais carente de carinho e amor. O que mais depressa sentiu necessidade de mim. O que me assumiu como pai desde o primeiro momento.
A relação destes dois foi sempre muito curiosa: nunca me pareceu que tivesse havido ruído ou confusão. Foram amadurecendo e fortificando os laços que os uniam e, sem se aperceberem, os nós desses laços eram tão desejados e amados que nenhum conseguia estar bem sem o outro.

Eu e a Dulce chegámos a mais uma das encruzilhadas da nossa vida. Mais um filho parte em busca do seu próprio destino, unido à Anabela. Já vimos o Marco partir de mão dada com a Paula Regina. Despedimo-nos da Paula e do Nuno. Em cada partida sentimo-nos mais fortes e unidos. Todos.
Cada casal tem que percorrer o seu caminho e fazer as suas escolhas. Não podem esperar que sejam outros a fazê-las nem podem adiar decisões que podem moldar uma vida. Nunca mais serão dois. Serão sempre um, numa união inexplicável e desejada, unidos a muitos outros que fazem parte de outro todo que é a família. Semeamos vidas, modos de encarar a vida. Tocamos as pessoas na esperança de tocar nessas vidas. Esperamos que os frutos sejam agradáveis. Esperamos contra toda a lógica.

Aqui e agora, de mãos dadas, de lágrimas nos olhos mas com os nossos corações a transbordar de alegria e júbilo, lançamos sobre os nossos filhos a bênção da felicidade e tornamos público um segredo guardado há milénios: em caso de dúvida, de desânimo, de desilusão, de zanga grave... não atireis a primeira pedra. Façam uma retrospectiva honesta da vossa vida. Procurai as raízes que vos trouxeram aqui hoje. Pesem bem a pedra que tendes na mão para atirar. Olhai fundo nos olhos um do outro. E deixareis cair a pedra.